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Espera-se que a indústria de celulose e papel se beneficie

Jan 21, 2026 Deixe um recado

A indústria de celulose e papel deverá se beneficiar

 

Após mais de 25 anos de maratonas de negociações, o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) e a União Europeia assinaram oficialmente um acordo de livre comércio no dia 17 de janeiro em Assunção, capital do Paraguai. Num contexto de crescentes tensões geopolíticas globais e de protecionismo comercial, este acordo de comércio livre marca um passo fundamental para o MERCOSUL e a UE no sentido da criação de uma das maiores zonas de comércio livre do mundo, demonstrando o compromisso de ambas as partes com a abertura, o intercâmbio e a cooperação.

 

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No entanto, após a assinatura, este acordo de comércio livre ainda necessita da aprovação dos parlamentos dos respectivos países antes de poder entrar em vigor. Os analistas acreditam que, considerando factores como o facto de alguns Estados-Membros da UE manterem uma posição de oposição firme, o processo de aprovação pode encontrar resistência tanto nos parlamentos dos países-membros da UE como no Parlamento Europeu, e permanece incerteza sobre a sua implementação final.

O Mercosul e a UE representam, em conjunto, um mercado de mais de 700 milhões de pessoas, com um PIB combinado que representa cerca de 25% do PIB global.

Em uma declaração conjunta emitida pelos estados membros do Mercosul após a assinatura do acordo de livre comércio, foi declarado que o acordo de livre comércio Mercosul-UE estabelece uma estrutura abrangente e equilibrada para promover o comércio de bens e serviços, o investimento e o desenvolvimento econômico. A declaração afirma que a UE eliminará gradualmente as tarifas sobre 92% dos produtos de exportação do Mercosul e concederá tratamento preferencial a mais 7,5% dos produtos de exportação, incluindo a remoção de tarifas sobre 85% da celulose e 90% das exportações de papel e cartão da UE para o Mercosul. “Os canais para a entrada de produtos do Mercosul no mercado europeu serão significativamente ampliados, as condições comerciais melhorarão e a competitividade das empresas da região será reforçada”, afirma o comunicado.

Para a UE, o Mercosul eliminará as tarifas sobre 91% dos produtos da UE nos próximos 15 anos, permitindo à UE vender mais automóveis, maquinaria industrial, equipamento eléctrico, produtos farmacêuticos e outros produtos ao Mercosul. Anteriormente, estes produtos europeus eram significativamente restringidos na exportação para os países membros do Mercosul devido a altas tarifas.

O acordo abre um novo mercado para os produtores europeus de papel. A Confederação das Indústrias Europeias de Papel (CEPI) afirmou que as relações comerciais entre os produtores de papel europeus e os homólogos sul-americanos são há muito desequilibradas.

"Desde 2004, a UE mantém tarifas de importação zero sobre celulose, papel, papelão e produtos relacionados (incluindo os provenientes dos países do Mercosul). Em contraste, os países do Mercosul impuseram tarifas elevadas às exportações europeias, criando um ambiente competitivo injusto", afirmou a associação industrial.

“Dado que a UE já aboliu tarifas há mais de 20 anos, este acordo não deverá levar a um aumento significativo nas importações de celulose e papel dos países do Mercosul.”

No contexto das tensas relações comerciais entre a UE e os EUA, o intercâmbio de pasta de papel e de papel entre a UE e o Mercosul continua a ser crucial.

A CEPI destacou: "A Europa é um exportador líquido de produtos-de papel e papelão de alta qualidade em todo o mundo, mas, ao mesmo tempo, é um importante importador de celulose de mercado do Mercosul, que é uma matéria-prima essencial para a fabricação de papel."

Segundo relatos, o acordo inclui um capítulo reforçado sobre Comércio e Desenvolvimento Sustentável, acompanhado de um anexo juridicamente vinculativo. Este anexo contém compromissos para travar a desflorestação e reforçar a cooperação no desenvolvimento sustentável da cadeia de abastecimento.

A CEPI sublinha que a implementação rigorosa do capítulo Comércio e Desenvolvimento Sustentável (DST) é crucial para garantir que as normas ambientais e laborais sejam mantidas. Tanto a indústria europeia de pasta e papel como o sector florestal do Brasil comprometeram-se a prevenir a exploração madeireira ilegal e a desflorestação.

 

 

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